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a geração z se sente adulta? como a cultura digital está redefinindo o que é ser adulto

17 de abr. de 2026

por Rafaela Varella, Diretora criativa da HAPU

comportamento, identidade e por que os marcos tradicionais deixaram de definir a vida adulta na geração z

quando ser adulto deixa de ser um ponto de chegada


os membros mais velhos da geração z já ultrapassaram os 30 anos. ocupam cargos de liderança, pagam contas e assumem responsabilidades que, por muito tempo, foram associadas à vida adulta. ainda assim, existe um descompasso entre o que fazem e o que sentem.

apenas 11% da geração z afirma se sentir, de fato, adulta, segundo o estudo adulthood across generations, da life happens. esse dado revela uma mudança importante na forma como a identidade adulta é construída. não se trata de ausência de responsabilidades, mas de transformação nos códigos que definem essa etapa da vida.


o fim dos marcos lineares


durante décadas, o sentimento de ser adulto esteve ligado a marcos claros e sequenciais. sair da casa dos pais, entrar no mercado de trabalho tradicional, construir carreira em um ambiente corporativo. esses eventos funcionavam como validação social. eram sinais visíveis de que a transição havia acontecido.

com a geração z, essa lógica se fragmenta. crescer conectado significou também crescer exposto a múltiplos modelos de vida. carreira deixa de ser sinônimo de escritório. trabalho pode acontecer a partir de uma câmera, de uma audiência ou de um projeto independente.

com isso, os caminhos deixam de ser lineares e os pontos de referência que organizavam a identidade adulta se tornam menos nítidos. não existe mais um único roteiro a ser seguido.


identidade em um cenário de múltiplos caminhos


essa multiplicidade de possibilidades impacta diretamente a forma como a geração z se percebe. sem um modelo dominante, a construção de identidade passa a ser mais aberta, mas também mais complexa.

o que antes era definido por etapas claras, agora depende de escolhas individuais, contextos e repertórios. ser adulto deixa de ser um status alcançado e passa a ser um processo em constante construção.

isso não significa imaturidade. significa que os parâmetros mudaram.


kidulting e o retorno à infância como referência


um dos comportamentos que exemplifica essa mudança é o chamado kidulting. o mesmo indivíduo que lidera reuniões, organiza rotina e toma decisões importantes pode, ao mesmo tempo, consumir conteúdos da infância, colecionar objetos nostálgicos ou se envolver em atividades associadas a fases anteriores da vida.

esses comportamentos coexistem sem conflito. isso acontece porque, diante da falta de referências claras sobre o que é ser adulto, a infância passa a funcionar como um território de estabilidade simbólica.

a nostalgia, nesse contexto, não é apenas estética. ela atua como ponto de segurança em um cenário onde os códigos são mais fluidos. revisitar o passado é uma forma de acessar um momento onde as regras eram mais claras e previsíveis.


a vida adulta como construção cultural


a ideia de vida adulta sempre foi, em grande parte, uma construção cultural. durante muito tempo, essa construção foi sustentada por padrões transmitidos entre gerações. havia um modelo dominante, que orientava expectativas e comportamentos.

a geração z cresce em um ambiente diferente. como primeira geração genuinamente nativa digital, ela não apenas acessa múltiplas referências, mas também tem autonomia para reinterpretá las. isso faz com que a construção da vida adulta deixe de ser herdada e passe a ser redefinida.

o resultado é um cenário onde ser adulto não tem uma única definição. é uma construção individual, influenciada por cultura digital, comportamento de consumo e contexto social.


o que isso revela para marcas


entender essa transformação é essencial para marcas que querem se conectar com a geração z. falar com essa geração exige compreender que identidade, pertencimento e percepção de maturidade não seguem mais padrões fixos.

produtos, narrativas e experiências que reconhecem essa complexidade tendem a gerar mais identificação. marcas que ainda operam com uma visão rígida de fases da vida correm o risco de se tornar distantes da realidade do público.

no fim, a pergunta deixa de ser quando alguém se torna adulto e passa a ser como essa identidade está sendo construída.


na hapu, analisamos comportamento, cultura digital e consumo para traduzir essas transformações em estratégia de marca. se a sua marca quer se conectar com a geração z de forma mais relevante, entre em contato com a gente.

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