
13 de fev. de 2026
por Rafaela Varella, Diretora criativa da HAPU
por que a gen z está saturada de carrosséis informativos e como marcas precisam reposicionar narrativa, produto e identidade cultural
nos últimos anos, o design se consolidou como uma das principais ferramentas de comunicação das marcas nas redes sociais. carrosséis informativos, grids organizados e conteúdos visuais padronizados ajudaram empresas a manter presença constante no feed, gerar percepção de utilidade e construir proximidade com o público. em 2026, a resposta da geração z começa a mudar. o que antes era diferencial passa a ser esperado, previsível e amplamente replicado.
a geração z desenvolveu uma leitura sofisticada sobre a lógica das marcas. ela reconhece que, independentemente da estética ou do discurso, existe sempre um produto sendo oferecido e um objetivo comercial por trás da comunicação. quando o conteúdo tenta operar apenas como informação neutra ou entretenimento genérico e se distancia do que a marca realmente vende, ocorre uma ruptura de percepção de valor.
essa mudança altera o padrão de consumo de conteúdo. mensagens que apenas explicam perdem relevância, enquanto narrativas que assumem posicionamento, imaginário e território simbólico ganham atenção. a gen z não busca somente informação, mas significado cultural associado ao produto. o interesse migra do conteúdo que ensina para o conteúdo que constrói identidade.
na prática, isso aparece na valorização crescente de fotos e vídeos aspiracionais em que o produto ocupa papel central como elemento de estilo de vida e pertencimento cultural. em vez de explicar excessivamente funcionalidades, as marcas mostram como aquele item se insere em um contexto desejável alinhado aos códigos da geração. o produto volta a ser protagonista da comunicação.
ao mesmo tempo, o conteúdo de design perde força justamente por sua facilidade de reprodução. quando diferentes marcas utilizam a mesma estrutura visual, os mesmos templates e a mesma pauta, a geração z identifica rapidamente o padrão e satura aquele formato. a repetição reduz diferenciação e transforma estratégia em ruído visual.
o que está em jogo não é o fim do design no marketing digital, mas a saturação de um modelo que prioriza forma e informação acima de significado. em um cenário de excesso de estímulos, a gen z responde melhor a marcas que constroem desejo, reconhecimento e identidade a partir do próprio produto, sem disfarçar sua intenção comercial.
nesse contexto, branding para geração z exige repertório cultural, clareza de posicionamento e capacidade de transformar produto em símbolo. quando a repetição de formatos já é facilmente percebida, a vantagem competitiva deixa de estar na estética padronizada e passa a estar na construção de imaginário e relevância cultural.
