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crescer deixa de ser um marco claro para a gen z

30 de abr. de 2026

por Rafaela Varella, Diretora criativa da HAPU

comportamento, cultura digital e por que os códigos da vida adulta perderam definição na geração z

entre responsabilidade e percepção


os membros mais velhos da geração z já têm mais de 30 anos. pagam contas, ocupam cargos de liderança, tomam decisões financeiras e profissionais relevantes. ainda assim, existe um descolamento entre o que fazem e o que sentem.

apenas 11% da geração z afirma se sentir, de fato, adulta, segundo o estudo adulthood across generations, da life happens.

esse dado não aponta para ausência de maturidade. aponta para uma mudança estrutural na forma como a vida adulta é percebida.


quando os marcos deixam de organizar a identidade


por muito tempo, o sentimento de ser adulto foi construído a partir de marcos externos e sequenciais. sair da casa dos pais, entrar no mercado de trabalho tradicional, construir uma carreira dentro de um ambiente corporativo. esses eventos funcionavam como validação social.

era a sociedade dizendo que a transição aconteceu.

esse modelo começa a se dissolver com a geração z. crescer em um ambiente digital significou também crescer exposto a múltiplos caminhos possíveis. carreira deixa de ser sinônimo de escritório. trabalho pode ser uma câmera, uma audiência, um projeto independente ou uma combinação de tudo isso.

os modelos de vida adulta se multiplicam. e, com isso, os pontos de referência que organizavam a identidade se tornam menos nítidos.


múltiplos caminhos, menos definição


essa multiplicidade traz liberdade, mas também complexidade. sem um modelo dominante, a construção de identidade deixa de ser guiada por etapas claras e passa a depender de escolhas individuais.

ser adulto deixa de ser um ponto de chegada e passa a ser um processo em construção.

isso altera a percepção. não porque a geração z não assume responsabilidades, mas porque não existe mais um roteiro único que valide essa transição.


kidulting e o retorno à infância como referência


é nesse contexto que comportamentos como o kidulting ganham força. o mesmo indivíduo que lidera reuniões e organiza sua rotina pode, ao mesmo tempo, revisitar referências da infância, colecionar objetos, assistir conteúdos nostálgicos ou se envolver em atividades associadas a fases anteriores da vida.

esses comportamentos não entram em conflito. coexistem.

quando os modelos de vida adulta deixam de ser claros, a infância passa a funcionar como um território de referência estável. um lugar onde os códigos eram mais definidos e o mundo, mais legível.

esse movimento é conhecido como comfort nostalgia. não como fuga, mas como ponto de apoio.


a vida adulta como construção cultural


a ideia de vida adulta sempre foi, em parte, uma construção cultural. durante décadas, essa construção foi sustentada por padrões transmitidos entre gerações. havia um modelo dominante que organizava expectativas, comportamento e identidade.

a geração z cresce em outro cenário. como primeira geração genuinamente nativa digital, ela não apenas acessa múltiplas referências, mas também tem autonomia para reinterpretá las.

isso faz com que a vida adulta deixe de ser herdada e passe a ser construída.

o resultado é um ambiente onde não existe uma única definição. ser adulto passa a significar coisas diferentes, dependendo do contexto, das escolhas e do repertório de cada indivíduo.


o que isso muda para marcas


para marcas, essa transformação exige uma nova leitura. falar com a geração z significa entender que identidade, maturidade e pertencimento não seguem mais padrões fixos.

produtos, narrativas e experiências que reconhecem essa complexidade tendem a gerar mais conexão. marcas que ainda operam com visões rígidas de fases da vida correm o risco de se tornar distantes da realidade do público.


no fim, a pergunta deixa de ser quando alguém se torna adulto e passa a ser como essa identidade está sendo construída.


na HAPU, analisamos comportamento, cultura digital e consumo para traduzir essas mudanças em estratégia de marca. se a sua marca quer se conectar com a geração z de forma relevante, entre em contato com a gente.

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