
3 de dez. de 2025
por Rafaela Varella, Diretora criativa da HAPU
como construir relevância cultural em um cenário dominado por trends rápidas e atenção fragmentada
em um ambiente digital que opera em velocidade máxima, onde trends nascem e morrem em questão de horas, marcas enfrentam um desafio central: como permanecer relevantes quando tudo parece expirar rápido demais? a resposta passa por uma estratégia que ganha força justamente na contramão desse ritmo acelerado. o evergreen content é o tipo de conteúdo que mantém utilidade, valor e capacidade de engajamento independentemente da temporada, do hype ou do comportamento imediato do algoritmo. e é justamente por operar em estabilidade que ele começa a ressoar com a geração z, uma audiência saturada de estímulos e cada vez mais interessada em narrativas que sobrevivem ao excesso de informação.
enquanto grande parte do conteúdo digital se apoia em picos curtos de atenção, o evergreen trabalha por acúmulo. ele continua gerando busca, reconhecimento e recorrência à medida que novos públicos entram em contato com a marca. seu valor não depende do timing, mas da sua habilidade de se tornar referência afetiva ou cultural. isso é especialmente relevante em um cenário onde o algoritmo privilegia a novidade, mas a audiência jovem privilegia consistência. a geração z reconhece o cansaço criado por um fluxo infinito de atualizações e tende a valorizar aquilo que permanece, aquilo que constrói memória e que se repete com propósito.
um dos exemplos mais emblemáticos desse fenômeno é o retorno anual de Mariah Carey no natal. a cada dezembro, sua presença domina as paradas, os feeds e a conversa cultural. esse impacto não vem de um grande esforço publicitário, mas do fato de que sua música se transformou em um marcador cultural recorrente. ela não depende de tendência, de formato ou do algoritmo. existe no imaginário coletivo, e isso é o que define um evergreen de verdade. quando um conteúdo ultrapassa a lógica da viralização e entra no campo simbólico, ele passa a operar como ativo estratégico.
para marcas, essa compreensão é valiosa. conteúdos recorrentes constroem equity cultural. eles fortalecem associações, ampliam a lembrança de marca e criam familiaridade emocional. enquanto trends rápidas podem gerar alcance imediato, é a narrativa de longo prazo que define quem permanece. em um contexto onde a geração z já identifica o excesso de estímulo como parte do problema, conteúdos que escapam da obsolescência se tornam diferencial competitivo. ao invés de apostar apenas no curto prazo, marcas que investem em consistência conseguem se posicionar como referência em meio ao ruído.
na prática, trabalhar evergreen content significa entender que cultura se constrói no tempo. significa criar peças, narrativas e experiências que possam ser revisadas, relembradas e reativadas em ciclos recorrentes. significa também abandonar a lógica da urgência constante para assumir uma lógica de presença contínua. e essa mudança é especialmente importante agora, quando a geração z busca menos velocidade e mais significado, menos saturação e mais conexão real com aquilo que consome.
o curto prazo entrega alcance, mas o longo prazo constrói presença. marcas que desejam se manter relevantes precisam definir qual narrativa querem sustentar em 2026 e nos próximos anos. entender o papel do evergreen content é um passo fundamental para quem deseja construir uma marca sólida, memorável e culturalmente viva no imaginário da geração z.
aqui na HAPU, ajudamos marcas a traduzir comportamentos culturais em estratégia, criando conteúdos que geram impacto imediato sem abrir mão da consistência de longo prazo. se a sua marca quer construir relevância real com a geração z, fale com a gente. vamos criar narrativas que permaneçam.




