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new is cool, but vintage is cooler: por que a nostalgia guia o consumo da geração z

19 de dez. de 2025

por Rafaela Varella, Diretora criativa da HAPU

da estética y2k aos objetos analógicos, o passado virou estratégia emocional, cultural e de consumo para a gen z

a geração z cresceu em um ambiente hiperconectado, acelerado por feeds infinitos, estímulos constantes e um volume de informação sem precedentes. paradoxalmente, é justamente esse excesso que impulsiona um movimento de retorno ao passado. o vintage deixou de ser apenas uma referência estética e passou a ocupar um papel central no comportamento de consumo, funcionando como refúgio emocional, marcador identitário e resposta direta ao cansaço digital.


o interesse por câmeras analógicas, discos de vinil, videogames antigos, roupas y2k, planners físicos e celulares de botão não nasce do acaso. ele surge da necessidade de desacelerar, de criar vínculos mais tangíveis com o presente e de resgatar experiências que não dependem de algoritmos para existir. para a geração z, consumir o passado é uma forma de reorganizar o agora.


nostalgia como estratégia emocional em um mundo instável


em um cenário marcado por crises econômicas, instabilidade política e incertezas sobre o futuro, a nostalgia se consolida como uma estratégia de conforto emocional. não se trata apenas de saudade do que foi vivido, mas também do que nunca foi. esse fenômeno, muitas vezes chamado de saudade do que não se viveu, transforma o passado em um lugar seguro, previsível e idealizado.


o vintage oferece à geração z uma sensação de controle em meio ao caos. ouvir um álbum inteiro, jogar videogames antigos ou fotografar sem ver o resultado imediato são práticas que resgatam o tempo da espera, da atenção plena e da experiência completa. o foco deixa de ser a performance para o feed e passa a ser o valor simbólico do momento.


quando a memória vira produto e desejo


as redes sociais desempenham um papel central na transformação da nostalgia em desejo de consumo. plataformas como tiktok, instagram e pinterest ressignificam referências do passado, transformando memória afetiva em estética aspiracional. músicas antigas viralizam, objetos retrô ganham novos significados e produtos analógicos se tornam símbolos de lifestyle.


o consumo vintage, nesse contexto, não está ligado apenas ao produto em si, mas ao que ele representa. comprar um item retrô é comprar uma narrativa, uma identidade e uma sensação de pertencimento. é por isso que o vintage atravessa categorias como moda, tecnologia, entretenimento e alimentação, criando um ecossistema cultural onde o passado é constantemente reinterpretado para o presente.


o analógico como contraponto à vida hiperconectada


mais do que tendência, o retorno ao analógico funciona como um contraponto direto à lógica digital. em um mundo mediado por telas, o físico ganha valor. o toque, o peso, o som e a imperfeição dos objetos analógicos criam experiências sensoriais que o digital não replica.


para a geração z, o analógico não substitui o digital, mas equilibra. ele oferece pausas, cria rituais e devolve à experiência cotidiana um senso de presença. esse movimento explica por que o vintage deixou de ser nicho e passou a ocupar o centro das conversas culturais e de consumo.


o que isso revela sobre marcas e comportamento de consumo


entender a relação da geração z com a nostalgia é entender como essa geração consome significado, não apenas produtos. marcas que conseguem dialogar com o passado sem parecer datadas, que resgatam referências com contexto e autenticidade, criam conexões mais profundas e duradouras.


o sucesso não está em copiar estéticas antigas, mas em compreender por que elas importam agora. a nostalgia, quando bem utilizada, não é fuga, é estratégia. ela organiza emoções, cria identificação coletiva e oferece respostas simbólicas para um presente instável.


na HAPU, analisamos esses movimentos a partir do comportamento, não da superfície. conectamos marcas à geração z entendendo os códigos culturais que moldam o consumo, o desejo e a identidade. mais do que seguir tendências, traduzimos o agora para construir relevância real no futuro.


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