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o ciclo do doomscrolling na geração z: quando consumir vira automático

2 de abr. de 2026

por Rafaela Varella, Diretora criativa da HAPU

por que a geração z consome mais do que consegue processar e o que isso muda no digital

quando o consumo vira looping


você já se pegou entrando no celular para ver uma coisa específica e, minutos depois, percebeu que estava preso em um fluxo contínuo de conteúdos sem lembrar exatamente como chegou ali. esse comportamento tem nome. doomscrolling.

o ponto central não está apenas no tempo de tela. está na forma como esse tempo é preenchido. o consumo deixa de ser intencional e passa a ser automático. um conteúdo leva a outro, que leva a outro, criando um ciclo difícil de interromper.


doomscrolling é estrutura


reduzir o doomscrolling a vício em celular simplifica um fenômeno mais complexo. ele é resultado da combinação entre três forças principais. algoritmo, ansiedade e necessidade de controle.

o algoritmo aprende com o comportamento do usuário e otimiza a entrega de conteúdo para manter a atenção pelo maior tempo possível. quanto mais alguém consome, mais refinada se torna essa entrega. a ansiedade entra como um fator que impulsiona a permanência. existe uma sensação constante de que é preciso estar atualizado, entender o que está acontecendo e não perder nada relevante. ao mesmo tempo, o ato de continuar rolando o feed cria uma falsa sensação de controle sobre esse fluxo de informação.

o resultado é um ciclo que se retroalimenta. quanto mais se consome, mais o sistema responde, e mais difícil se torna sair.


brainrot e a sensação de consumir sem absorver



dentro desse contexto, surge um conceito que tem ganhado espaço na cultura digital. o brainrot. uma sensação de estar constantemente consumindo conteúdo, mas sem absorver de fato. a informação passa, mas não se fixa. o estímulo é alto, mas a retenção é baixa.

isso acontece porque o cérebro é exposto a uma sequência rápida de conteúdos, muitas vezes desconectados entre si. não há tempo para processamento, reflexão ou construção de memória. o consumo se torna superficial e fragmentado.

para a geração z, que cresceu nesse ambiente, essa dinâmica é familiar. mas isso não significa que seja neutra. ela impacta atenção, foco e a forma como a informação é percebida e valorizada.

o impacto no comportamento de consumo e na cultura digital

o doomscrolling também influencia diretamente o comportamento de consumo. quando o usuário está em um estado contínuo de estímulo, a tomada de decisão se torna mais impulsiva e menos refletida. produtos, ideias e tendências são consumidos rapidamente, mas nem sempre geram conexão duradoura.

isso cria um cenário onde a visibilidade é alta, mas a retenção é baixa. marcas conseguem aparecer, mas têm dificuldade em construir memória e vínculo. dentro da lógica do marketing geracional, isso exige uma mudança de abordagem. não basta capturar atenção. é necessário sustentar significado.


sair do ciclo.


o doomscrolling é resultado de um sistema estruturado para manter atenção. uma forma possível de interromper esse padrão está na substituição consciente do estímulo. atividades que exigem presença ativa, como praticar um esporte, cozinhar, ler, escrever, ouvir música sem distrações ou até sair para caminhar, ajudam a reorganizar a relação com o tempo e com a atenção. não se trata de abandonar o digital, mas de criar momentos em que o consumo deixa de ser automático e volta a ser intencional. são nesses intervalos que o cérebro consegue desacelerar e retomar algum nível de controle sobre o próprio foco.


entre presença e excesso

no fim, a discussão sobre doomscrolling aponta para uma questão mais ampla. como equilibrar presença digital e bem estar em um ambiente construído para capturar atenção constantemente. a resposta não está em negar a cultura digital, mas em entender como navegar por ela de forma mais consciente.

para a geração z, esse é um dos principais desafios contemporâneos. consumir sem se perder no consumo. participar sem se tornar refém do fluxo.


na Hapu, analisamos como comportamento, cultura digital e consumo se conectam para construir estratégias de marca mais relevantes dentro desse cenário. se a sua marca quer entender como operar nesse ambiente de atenção fragmentada, entre em contato com a gente.

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