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por que a geração z ainda se conecta com álbum de figurinhas

8 de mai. de 2026

por Rafaela Varella, Diretora criativa da HAPU

nostalgia, ritual coletivo e como objetos físicos seguem criando pertencimento na cultura digital

o digital não apagou o ritual


a geração z cresceu em um ambiente digital, mas isso não significa que sua relação com consumo aconteça apenas por telas. existe uma camada afetiva muito forte em experiências físicas, principalmente quando elas carregam memória, troca e ritual. o álbum de figurinhas da Copa é um desses casos. para parte dessa geração, ele ainda remete a uma infância marcada por idas à banca, pacotinhos abertos com expectativa e negociações sérias sobre figurinhas repetidas no recreio, em casa ou entre amigos.

em 2026, esse comportamento continua fazendo sentido porque não depende apenas do futebol. o álbum funciona como um objeto cultural. ele ativa nostalgia, materialidade e pertencimento ao mesmo tempo, criando uma experiência simples, mas cheia de significado.


nostalgia como padrão de consumo


a vontade de comprar, completar e trocar figurinhas não vem só do gosto pelo esporte ou da saudade da infância. ela também se conecta com a nostalgia como padrão de consumo da geração z. em um cenário acelerado, digital e saturado de estímulos, referências do passado passam a oferecer uma sensação de estabilidade simbólica. abrir um pacote de figurinha é um gesto pequeno, mas reconhecível. tem começo, expectativa, surpresa e repetição.

essa lógica conversa diretamente com o comportamento de uma geração que vive conectada, mas valoriza cada vez mais experiências capazes de criar pausa, presença e memória. o offline ganha força justamente porque oferece algo que o digital nem sempre entrega com a mesma intensidade: o contato físico com o objeto, a troca entre pessoas e a sensação de participar de um ritual coletivo.


o álbum como social object


na prática, o álbum de figurinhas funciona como um social object, um objeto que cria interação ao redor dele. ele não existe apenas para ser completado. ele gera conversa, negociação, encontro e comunidade. cada pacote aberto cria expectativa. cada figurinha repetida vira possibilidade de troca. cada página completa dá a sensação de avanço compartilhado.

esse é um ponto importante para entender por que o álbum segue relevante. ele transforma um produto simples em experiência social. a materialidade importa. o barulho do pacote, as páginas frágeis, o cuidado para colar sem rasgar, a organização das repetidas. tudo isso cria uma relação que vai além da função do objeto.


a troca agora acontece em múltiplos espaços


a diferença é que, hoje, esse ritual ganhou novas camadas. se antes a troca acontecia principalmente na escola, na rua ou entre familiares, agora ela também se espalha por grupos de WhatsApp, vídeos no TikTok, conversas no X, marketplaces e comunidades online. o físico e o digital deixam de ser opostos e passam a funcionar juntos.

mesmo quando existe uma versão digital do álbum, o valor simbólico do gesto físico continua forte. a geração z pode pesquisar online, negociar em grupos e compartilhar a experiência nas redes, mas o desejo pelo álbum impresso mostra que a materialidade ainda tem espaço dentro da cultura digital.

o que isso revela sobre a geração z

o interesse da geração z por álbum de figurinhas revela uma tensão importante do consumo contemporâneo. essa é uma geração altamente conectada, mas também interessada em experiências que criam memória fora do fluxo automático das plataformas. o mesmo público que consome vídeos curtos, participa de comunidades digitais e acompanha trends em tempo real também se encanta por objetos físicos que organizam pertencimento.

isso mostra que o offline nunca deixou de ter valor. ele apenas passou a ser ressignificado. quando um objeto físico consegue carregar nostalgia, ritual e comunidade, ele ganha relevância cultural mesmo em um cenário dominado pelo digital.

o que marcas podem aprender com isso

para marcas, o álbum de figurinhas é um lembrete importante. experiências memoráveis não precisam ser complexas para gerar conexão. muitas vezes, o que cria valor é a capacidade de transformar um gesto simples em ritual coletivo. coleção, troca, expectativa e pertencimento seguem sendo mecanismos poderosos de consumo, principalmente quando conversam com repertórios afetivos já existentes.

na HAPU, analisamos comportamento, cultura digital e consumo para transformar movimentos como esse em estratégia de marca. se a sua marca quer criar experiências que conectem a geração z dentro e fora das telas, entre em contato com a gente.

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