
15 de mai. de 2026
por Rafaela Varella, Diretora criativa da HAPU
cultura digital, comportamento e como a geração z se relaciona com inteligência artificial
quando a rejeição não é sobre a ferramenta
recentemente, personagens como moranguete, abacatudo e bananildo dominaram tiktok e instagram com suas “novelas de frutas” feitas por inteligência artificial. ao mesmo tempo, é comum ouvir que a geração z rejeita tudo que envolve IA. essa aparente contradição não está na geração, mas na forma como pessoas e marcas ainda tentam aplicar tecnologia sem entender cultura digital.
a relação da geração z com a IA não é linear. a rejeição aparece quando a ferramenta substitui processos criativos, apaga autoria ou copia estética sem contexto, tentando simular humanidade. por outro lado, a adesão acontece quando a IA é usada como linguagem de plataforma: personagens absurdos, piadas internas, remix, lore e entretenimento compartilhável.
moranguete, abacatudo e a lógica do consumo
a gen z não consome moranguete e abacatudo porque “ama IA”. consome porque esses personagens operam dentro de códigos da cultura digital: vídeos curtos, drama exagerado, estética estranha, narrativa fragmentada e expectativa de acompanhar o próximo episódio. é quase uma novela caótica de internet, mas com frutas antropomorfizadas. a aderência não depende da qualidade visual, mas da capacidade de se tornar parte do repertório coletivo.
esse tipo de conteúdo entra na lógica do brainrot, onde excesso, nonsense e humor de baixo esforço viram códigos compartilháveis. não precisa ser “bonito”, precisa ser reconhecível, remixável e fácil de transformar em piada dentro de grupos. é por isso que uma fruta dramática pode circular mais rápido que campanhas altamente produzidas: ela entende a dinâmica da plataforma e da audiência.
de influenciadores virtuais ao caos nativo de plataforma
essa lógica não começou com IA generativa. a lu do magalu já demonstrava que personagens virtuais podiam humanizar a experiência digital, criando vínculo e operando como influenciadores dentro de ecossistemas proprietários. a diferença hoje é que, com IA, o controle institucional diminui. o conteúdo deixa de ser apenas brand character e se torna caos nativo de plataforma, fluido e interativo, refletindo padrões de consumo e engajamento próprios da geração z.
leitura estratégica para marcas
para marcas, a questão não é “usar ou não usar IA”, mas sim: essa aplicação da tecnologia serve a cultura digital ou é apenas um atalho criativo? a geração z percebe a diferença. quando a IA substitui autoria, processos criativos ou trabalho humano, gera repulsa. quando é integrada à cultura, participa da lógica de consumo, engajamento e criação de repertório.
moranguete e abacatudo não provam que a geração z ama ou odeia IA. eles mostram que essa geração adota certos padrões de comportamento de forma estratégica, utilizando a inteligência artificial como linguagem cultural, ferramenta de criação e forma de interação dentro de plataformas digitais. entender esse comportamento é fundamental para marcas que querem dialogar com relevância e autenticidade na cultura digital da geração z. na HAPU, estudamos esses movimentos culturais e traduzimos comportamento em estratégia de marca. se a sua marca quer dialogar com relevância e autenticidade dentro da cultura digital da geração z, entre em contato com a gente.