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Geração Z e thoughtfluencers: por que a internet está voltando a valorizar o pensamento

por Rafaela Varella, Diretora criativa da HAPU

Sep 18, 2026

Do brainrot aos creators de ideias, a Geração Z está transformando conhecimento, repertório e perspectiva em novas formas de influência na cultura digital

Da cultura do brainrot ao thoughtfluencer

Nos últimos anos, boa parte da conversa sobre cultura digital foi dominada pela lógica do brainrot: vídeos rápidos, memes altamente contextuais, referências que circulam por poucos dias e uma relação com o feed baseada em estímulo constante. Essa linguagem continua sendo importante para o humor e o pertencimento online, mas outro movimento começa a ganhar espaço dentro das mesmas plataformas. Creators passam a usar vídeos curtos para falar sobre filosofia, psicologia, história da moda, comportamento, literatura, arte e cultura. Surgem os chamados thoughtfluencers, ou thinkfluencers, cuja principal moeda de influência não é necessariamente lifestyle ou acesso, mas perspectiva. A mudança não está em explicar coisas na internet, algo que existe há décadas, mas no lugar que pensar publicamente começa a ocupar dentro da cultura digital da Geração Z.

Quando conhecimento também vira identidade

A Geração Z cresceu com acesso praticamente ilimitado à informação, mas isso não significa que encontrar respostas tenha se tornado mais simples. Hoje, qualquer dúvida pode abrir uma sequência infinita de vídeos, artigos, podcasts, fóruns e referências. O desafio passa a ser selecionar o que merece atenção, entender como diferentes informações se relacionam e encontrar alguém capaz de organizar esse excesso em uma narrativa compreensível. É nesse espaço que o thoughtfluencer ganha relevância como curador. Em vez de apenas entregar uma informação, esse creator seleciona referências, conecta assuntos e oferece uma perspectiva que funciona como porta de entrada para determinado tema. Conhecimento passa, então, a participar da construção de identidade cultural da mesma forma que música, moda, cinema e outros repertórios já fazem.

Aprender também virou entretenimento

O crescimento dos thoughtfluencers não significa necessariamente que a Geração Z esteja abandonando memes, trends ou conteúdos absurdos em busca de uma internet mais séria. Os dois comportamentos podem coexistir. A mesma pessoa pode consumir um vídeo completamente nonsense e, minutos depois, assistir a uma explicação sobre relacionamentos, história da moda ou comportamento humano. O que parece estar mudando é a expectativa sobre o que o feed pode oferecer. Conhecimento passa a circular na mesma linguagem visual do entretenimento, sem necessariamente assumir a aparência tradicional de uma aula. Um conceito pode ser explicado durante um storytime, uma referência histórica pode partir do look de uma celebridade e uma discussão mais complexa pode começar com uma situação cotidiana. Para a cultura digital, isso representa uma aproximação cada vez maior entre aprender, descobrir e se entreter.

Em uma internet cheia de respostas, perspectiva ganha valor

A expansão da inteligência artificial adiciona outra camada a esse movimento. Quando ferramentas conseguem resumir livros, explicar conceitos e organizar informações instantaneamente, acumular fatos deixa de ser suficiente para construir autoridade. O diferencial passa a estar na interpretação, no contexto e na capacidade de conectar referências de uma maneira particular. É justamente aí que creators com repertório específico podem ganhar força. O público não procura necessariamente alguém que saiba tudo, mas alguém capaz de dizer por que determinadas coisas estão relacionadas e o que vale a pena observar entre elas. Para a Geração Z, que consome cultura em um ambiente de informação abundante, perspectiva pode se tornar mais escassa do que informação.

O risco de transformar profundidade em estética

Existe, porém, uma contradição importante. Thoughtfluencers precisam produzir dentro das mesmas plataformas que recompensam frequência, clareza rápida e formatos facilmente compartilháveis. Pensar, pesquisar e mudar de opinião exigem tempo, enquanto o algoritmo tende a favorecer conteúdos que podem ser compreendidos rapidamente. Conforme o formato se populariza, existe o risco de a aparência de conhecimento se transformar em uma nova estética de personal branding: livros ao fundo, referências acadêmicas, microfone na mão e conclusões rápidas sobre assuntos complexos. A busca por profundidade pode, assim, ser absorvida pela própria lógica de performance das redes. O fenômeno se torna interessante justamente porque revela uma contradição da cultura digital: existe demanda por conteúdo mais substancial dentro de um sistema que continua recompensando simplificação.

De influencer para intérprete cultural

Essa transformação também amplia o papel dos creators na economia da influência. Durante anos, a principal força do influencer esteve associada à proximidade e à capacidade de transformar produtos em recomendações pessoais. Os thoughtfluencers adicionam uma camada diferente: a mediação cultural. Eles ajudam a interpretar comportamentos, explicar tendências e conectar assuntos que normalmente apareceriam separados. Para uma geração exposta a mais referências culturais do que consegue processar sozinha, essa capacidade de oferecer contexto se torna especialmente relevante. A pergunta deixa de ser apenas “o que está acontecendo?” e passa a ser “por que isso está acontecendo?”. A influência, nesse cenário, não está apenas em determinar o que alguém deseja consumir, mas em oferecer uma maneira de enxergar determinada coisa.

Conhecimento também pode criar comunidade

O movimento não fica restrito às plataformas. Ao mesmo tempo em que thoughtfluencers ganham espaço online, clubes de leitura, encontros de discussão, palestras, livrarias e outros espaços de troca de ideias passam a assumir uma dimensão mais social. Isso acompanha uma transformação maior na relação da Geração Z com pertencimento. Assim como festivais podem transformar fandoms digitais em comunidades físicas, o conhecimento também pode funcionar como motivo para encontro. Ler, aprender e discutir deixam de ser necessariamente atividades individuais e passam a produzir repertório compartilhado. Nesse contexto, informação não é apenas algo que se consome. Ela também pode se tornar infraestrutura para socialização.

O que isso muda para marcas

Para a comunicação de marcas, o crescimento dos thoughtfluencers traz uma mudança importante na lógica de creator marketing. Em vez de simplesmente inserir um produto no conteúdo de alguém com audiência, existe a possibilidade de construir conversas a partir de ideias e repertórios que tenham relação legítima com a especialidade daquele creator. Uma marca de moda pode discutir história estética, uma marca de beleza pode falar sobre identidade e aparência e uma empresa de alimentos pode explorar os significados culturais relacionados à comida. O produto não precisa ser o protagonista imediato para que a marca participe da conversa. O desafio é encontrar uma contribuição que seja interessante mesmo antes da relação comercial. Em uma cultura digital saturada de informação, ter algo relevante para dizer também se torna uma forma de valor.

A Geração Z está cansada de conteúdo ou de conteúdo que não deixa nada?

O crescimento dos thoughtfluencers ajuda a questionar a ideia de que a Geração Z perdeu interesse por profundidade. O que parece estar mudando são os caminhos utilizados para chegar até ela. Assim como música, produtos e notícias são descobertos nas plataformas, filosofia, literatura, psicologia e outros campos também podem encontrar novos públicos por meio delas. Isso não significa que um vídeo curto substitua um livro, uma pesquisa ou uma aula. Seu papel pode estar justamente em funcionar como porta de entrada para algo mais profundo. O fenômeno revela uma disputa importante dentro da cultura digital contemporânea: não entre conteúdo curto e longo ou entre inteligência e brainrot, mas entre informação que simplesmente passa pelo feed e ideias que permanecem tempo suficiente para produzir alguma mudança.

Cultura como ponto de partida para estratégia

Aqui na HAPU, somos uma agência de curadores culturais e acompanhamos de perto os comportamentos, creators e movimentos que ajudam a explicar as transformações da Geração Z. Usamos inteligência cultural e marketing geracional para entender como novas linguagens de influência, conhecimento e pertencimento impactam o comportamento de consumo e a comunicação de marcas. Se a sua marca quer compreender não apenas o que a Geração Z está consumindo, mas também as ideias, comunidades e perspectivas que estão moldando essa geração, entre em contato com a HAPU.

sobre a HAPU

a HAPU é uma agência de comunicação full-service especializada em geração z, público jovem e novas gerações. através da nossa metodologia Z2Z, transformamos comportamento, cultura e inteligência geracional em estratégia para marcas que querem construir relevância com os novos consumidores.

atuamos com branding, conteúdo e social media, marketing de influência, relações públicas, live marketing e brand experience, além de consultoria e inteligência cultural.

quer entender como a sua marca pode se conectar com a geração z e o público jovem? conheça nossos serviços, veja nossos cases ou fale com a HAPU.

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