Influenciadores deram lugar aos creators: como a geração z mudou a lógica da influência

por Rafaela Varella, Diretora criativa da HAPU
Apr 17, 2026
Comportamento de consumo, cultura digital e por que a influência deixou de ser centralizada para se tornar distribuída
Quando a influência era concentrada
Por muito tempo, influência digital esteve associada a poucas pessoas. Criadores que surgiram em plataformas como YouTube, Vine e Tumblr construíram grandes audiências em um momento onde o ambiente digital ainda era mais limitado. Com menos opções e menos acesso à informação, a lógica era direta. Quem indicava, influenciava.
Nesse contexto, o influenciador ocupava um lugar de autoridade. Sua recomendação carregava peso porque havia menor possibilidade de comparação. O público consumia conteúdo, confiava e tomava decisões a partir dessa relação.
O ambiente digital se expande e muda o comportamento
Com a expansão das plataformas e o aumento exponencial de conteúdo, esse modelo começa a se transformar. A Geração Z cresce em um ambiente onde a informação é abundante e o acesso é imediato. Isso altera diretamente o comportamento de consumo.
O público passa a ter mais repertório para comparar, questionar e investigar. A confiança deixa de estar concentrada em um único nome e passa a ser distribuída entre múltiplas fontes. A decisão deixa de ser linear e passa a ser construída ao longo de diferentes pontos de contato.
De influenciadores para creators
É nesse cenário que surge a lógica dos creators. Mais do que influenciar, o foco passa a ser criar. O creator não se define pelo tamanho da audiência, mas pela consistência do que produz e pela relação que constrói com o público.
Depois de um período em que muitas publicidades passaram a ser questionadas, a audiência se torna mais crítica. Em vez de depender de uma única indicação, começa a buscar diferentes perspectivas. Assistir múltiplos conteúdos, comparar opiniões e formar uma percepção própria se torna parte do processo.
A influência continua existindo, mas muda de forma. Ela deixa de ser imposta e passa a ser construída.
A decisão como processo coletivo
Esse comportamento já é visível na forma como a Geração Z consome produtos e serviços. Quando alguém quer entender se algo vale a pena, não acessa apenas o perfil de um influenciador específico. Abre o TikTok, pesquisa e consome uma sequência de conteúdos.
São diferentes pessoas testando, opinando, mostrando pontos positivos e negativos. A decisão final não vem de um único vídeo, mas da soma dessas experiências. A influência se dilui, mas ao mesmo tempo se fortalece, porque passa a ser validada por múltiplas perspectivas.
Influência como consequência e não como ponto de partida
O que diferencia esse novo cenário é que a influência deixa de ser o objetivo principal. O creator cria, testa, compartilha e documenta. Se isso impacta alguém, a influência acontece como consequência.
Isso altera também a forma como o público percebe autenticidade. Conteúdos que parecem excessivamente construídos ou roteirizados tendem a gerar mais desconfiança. Por outro lado, experiências reais, imperfeitas e contextuais passam a ter mais valor.
O que isso muda para marcas
Para marcas, essa transformação exige uma mudança de estratégia. Não basta apostar em grandes nomes esperando que uma única recomendação gere impacto. É necessário construir presença dentro de um ecossistema de creators, considerando volume, diversidade e contexto.
Isso significa pensar em campanhas que permitam múltiplas narrativas, diferentes pontos de vista e inserção natural dentro da cultura digital. A relevância passa a estar menos no alcance individual e mais na recorrência e na validação coletiva.
Influência não acabou, ela evoluiu
O que estamos vendo não é o fim da influência, mas uma evolução da sua lógica. Impulsionada pela Geração Z, a tomada de decisão se torna mais complexa, mais distribuída e mais conectada com repertório.
A influência deixa de ser centralizada e passa a operar como rede. Um conjunto de vozes que, juntas, constroem percepção.
sobre a HAPU
a HAPU é uma agência de comunicação full-service especializada em geração z, público jovem e novas gerações. através da nossa metodologia Z2Z, transformamos comportamento, cultura e inteligência geracional em estratégia para marcas que querem construir relevância com os novos consumidores.
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