A bolha dos influencers está acabando?

por Rafaela Varella, Diretora criativa da HAPU
7 de ago. de 2026
Ou a geração z só cansou de ser influenciada?
Durante anos, a creator economy cresceu baseada em uma ideia simples: pessoas acompanhavam pessoas.
A internet criou uma nova forma de proximidade, onde creators transformaram rotina em narrativa, produtos em desejo e momentos pessoais em uma espécie de entretenimento contínuo. Pela primeira vez, uma recomendação poderia vir de alguém que parecia estar dentro da mesma conversa, compartilhando referências e vivendo experiências parecidas com as da própria audiência.
Esse movimento mudou completamente a relação entre marcas e consumidores.
Mas depois de anos acompanhando essa evolução, um novo comportamento começa a aparecer: a mesma geração que ajudou a construir a cultura dos influencers também começou a questionar a forma como essa influência funciona.
Não porque a geração z deixou de gostar de creators.
Mas porque ela ficou melhor em perceber quando existe uma conexão real e quando existe apenas uma tentativa de parecer próxima.
quando a influência virou fórmula
No começo da creator economy, o grande diferencial era justamente a sensação de espontaneidade.
O público acompanhava alguém porque parecia existir uma troca mais humana do que a publicidade tradicional oferecia. Um creator podia mostrar sua rotina, compartilhar uma descoberta ou recomendar um produto de uma forma que parecia mais natural e próxima.
Com o tempo, porém, alguns códigos começaram a se repetir.
Os mesmos formatos de publicidade. As mesmas frases.Os mesmos produtos aparecendo em diferentes perfis. As mesmas experiências transformadas em conteúdo.
Quando determinada linguagem começa a ser replicada muitas vezes, ela deixa de parecer uma conversa e passa a parecer uma estratégia.
E a geração z, por ter crescido dentro desse ambiente digital, desenvolveu uma capacidade muito rápida de identificar quando algo parece genuíno e quando parece apenas uma ação comercial.
a geração z não rejeita publis. ela rejeita falta de contexto
Existe uma ideia de que a geração z cansou de publicidade, mas talvez o movimento seja um pouco diferente.
Essa geração não espera que creators deixem de fazer campanhas ou trabalhar com marcas. Ela entende que criação de conteúdo também é uma profissão e que parcerias fazem parte desse ecossistema.
O que muda é o critério.
A audiência quer entender por que aquela pessoa escolheu falar sobre determinado produto. Quer saber qual relação existe entre aquela marca e a narrativa que o creator já construiu.
A conexão acontece quando existe coerência.
Quando uma parceria parece uma continuação natural daquela pessoa, ela fortalece a relação. Quando parece apenas uma interrupção criada para vender, ela perde força.
do lifestyle perfeito para a vida com contexto
Por muito tempo, a influência foi construída em cima da aspiração.
Creators mostravam uma vida desejável: viagens, produtos, restaurantes, experiências e uma rotina cuidadosamente construída para inspirar.
Mas a geração z cresceu acompanhando os bastidores dessa lógica.
Ela viu como conteúdos são planejados, como imagens são produzidas e como muitas narrativas online passam por uma construção antes de chegar ao feed.
Nesse cenário, a estética continua importante, mas ela deixou de ser suficiente.
O que começa a ganhar valor é o contexto.
A geração z quer entender o que existe por trás daquilo que está consumindo: como aquela pessoa chegou naquela opinião, por que aquele produto faz sentido para ela, qual história existe antes daquela recomendação acontecer.
O valor deixa de estar apenas no resultado final e passa a estar também no processo, nas escolhas, nos bastidores e na percepção de que existe uma pessoa real construindo aquela narrativa.
o novo creator não vende apenas uma imagem
Essa mudança também explica o crescimento de creators que ocupam espaços mais específicos.
Em uma internet onde todos podem falar sobre tudo, a especialização começa a criar diferenciação.
A audiência passa a buscar pessoas que oferecem mais do que exposição: oferecem repertório.
Creators que explicam, analisam, ensinam, compartilham experiências e ajudam a organizar informações em um ambiente cada vez mais cheio de estímulos.
Depois de anos consumindo conteúdo extremamente rápido, a geração z também demonstra interesse por conteúdos que entregam uma sensação de aprendizado e descoberta.
Não é apenas sobre acompanhar uma pessoa.
É sobre encontrar alguém que adiciona algo à forma como aquela comunidade entende determinado assunto.
niche is the new influence
A influência deixa de ser medida apenas pelo tamanho da audiência e passa a ser observada pela força da comunidade construída.
Um creator não precisa necessariamente conversar com milhões de pessoas para gerar impacto.
Em muitos casos, a relevância está justamente em falar profundamente com um grupo específico.
Porque comunidades fortes não são construídas apenas por alcance.
Elas são construídas por identificação, confiança e sensação de pertencimento.
A geração z não procura alguém que saiba falar com todo mundo.
Ela procura alguém que pareça entender exatamente aquele universo.
a influência não acabou. ela amadureceu
A creator economy não está desaparecendo.
Ela está passando por uma transformação natural depois de anos de crescimento acelerado.
O mercado começa a sair de uma lógica baseada apenas em alcance e entra em uma fase onde contexto, autenticidade e comunidade ganham mais importância.
A geração z não cansou dos influencers.
Ela cansou da influência sem significado.
O creator que continua relevante não é necessariamente aquele que parece perfeito, mas aquele que consegue construir uma relação baseada em confiança, repertório e identificação.
a leitura da HAPU
Na HAPU, entendemos influência como uma construção cultural.
Mais do que olhar apenas para números de audiência, analisamos comunidades, códigos e comportamentos para conectar marcas a creators que realmente possuem relevância dentro dos seus universos.
Porque influência não acontece quando alguém apenas divulga uma mensagem.
Ela acontece quando uma pessoa consegue transformar uma marca em parte de uma conversa que já existe.
sobre a HAPU
a HAPU é uma agência de comunicação full-service especializada em geração z, público jovem e novas gerações. através da nossa metodologia Z2Z, transformamos comportamento, cultura e inteligência geracional em estratégia para marcas que querem construir relevância com os novos consumidores.
atuamos com branding, conteúdo e social media, marketing de influência, relações públicas, live marketing e brand experience, além de consultoria e inteligência cultural.
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