Brainrot, geração z e geração alpha: o que a cultura do anti-brainrot revela sobre a internet

por Rafaela Varella, Diretora criativa da HAPU
21 de ago. de 2026
Six seven, Italian brainrot e outros códigos virais ajudam a entender como diferentes gerações se relacionam com humor, excesso de estímulo e cultura digital
Nem tudo que viraliza entre jovens é Gen Z
Por algum motivo, tudo que nasce no caos da internet ainda costuma ser colocado na conta da Geração Z. Códigos como six seven, farmar aura, Ballerina Cappuccina e o universo do Italian brainrot rapidamente entram no mesmo pacote de humor gen z, mesmo quando sua circulação está muito mais conectada à Geração Alpha e a públicos ainda mais jovens.
Essa simplificação mostra um dos principais desafios do marketing geracional hoje: cultura jovem não é uma categoria homogênea. Geração Z e Geração Alpha convivem nas mesmas plataformas, consomem referências parecidas e influenciam umas às outras, mas isso não significa que atribuam o mesmo significado aos códigos que circulam na cultura digital.
O brainrot como linguagem da cultura digital
O brainrot se consolidou como uma linguagem baseada em conteúdos rápidos, repetitivos, absurdistas e frequentemente desconectados de uma narrativa tradicional. Personagens gerados ou acelerados por inteligência artificial, áudios repetidos até a exaustão, frases aparentemente sem sentido e memes que dependem mais de familiaridade do que de contexto ajudam a formar esse repertório. A lógica é profundamente nativa de plataforma: quanto mais determinado código aparece no feed, mais reconhecível ele se torna e maior a possibilidade de ser remixado, citado ou transformado em piada interna. No comportamento de consumo de conteúdo, o significado passa muitas vezes a surgir da própria repetição algorítmica.
A Geração Z também aprendeu a desconfiar do excesso de estímulo
Ao mesmo tempo, existe uma tensão importante na relação da Geração Z com esse tipo de conteúdo. Ter crescido dentro da internet também significou acompanhar de perto os efeitos de uma rotina estruturada por notificações, feeds infinitos e estímulos constantes. Discussões sobre vício em scroll, detox digital, hobbies offline, redução do tempo de tela e busca por fontes mais confiáveis de informação mostram uma geração progressivamente mais consciente da maneira como as plataformas disputam sua atenção. Isso não significa abandonar memes, humor absurdo ou entretenimento rápido, mas desenvolver uma leitura mais crítica sobre o momento em que a experiência digital deixa de ser divertida e começa a ser percebida apenas como ruído.
O anti-brainrot e uma nova relação com atenção
É nesse contexto que podemos entender a cultura do anti-brainrot. Mais do que uma rejeição absoluta ao nonsense, ela representa uma reação ao excesso e à baixa qualidade percebida de determinadas experiências digitais. A Geração Z continua participando de trends, entendendo códigos absurdistas e transformando referências em memes, mas também demonstra maior capacidade de ironizar a própria lógica de consumo que mantém esses conteúdos circulando. Para entender comportamento de consumo, essa ambiguidade é importante: participar de uma linguagem não significa necessariamente se identificar integralmente com ela. Muitas vezes, a própria crítica já faz parte da participação.
Para marcas, viral não significa pertencimento
Essa diferença é especialmente relevante para a comunicação de marcas. Reproduzir uma trend apenas porque ela está alcançando milhões de visualizações pode gerar alcance sem necessariamente produzir identificação cultural. Marketing geracional exige observar quem criou determinado código, quem o consome, quem o utiliza de forma irônica, quem já começou a rejeitá-lo e quais comunidades realmente atribuem valor àquela linguagem. Tratar todo meme como coisa de Gen Z reduz movimentos culturais complexos a uma estética superficial e aumenta o risco de uma marca entrar atrasada em uma conversa que seu próprio público já está observando com distanciamento.
Entender Geração Z exige entender contexto
Ler cultura jovem significa separar viralidade, comportamento e pertencimento. Geração Z e Geração Alpha podem compartilhar o mesmo ambiente digital sem ocupar exatamente o mesmo lugar dentro dele, e compreender essas diferenças é uma parte cada vez mais importante do marketing geracional.
sobre a HAPU
a HAPU é uma agência de comunicação full-service especializada em geração z, público jovem e novas gerações. através da nossa metodologia Z2Z, transformamos comportamento, cultura e inteligência geracional em estratégia para marcas que querem construir relevância com os novos consumidores.
atuamos com branding, conteúdo e social media, marketing de influência, relações públicas, live marketing e brand experience, além de consultoria e inteligência cultural.
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