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fake it till you make it: como a geração z está criando quem quer ser

2 de abr. de 2026

por Rafaela Varella, Diretora criativa da HAPU

comportamento, neuroplasticidade e cultura digital: por que projetar um “eu futuro” se tornou forma de organizar o presente

quando fingir deixa de ser superficial


o conceito de “fake it till you make it” por muito tempo foi associado a uma ideia simples. fingir ser algo até se tornar aquilo. uma estratégia muitas vezes vista como superficial, ligada à construção de imagem e percepção externa. no contexto atual, especialmente dentro da geração z, essa lógica ganha uma nova camada.

em um cenário marcado por instabilidade, excesso de estímulos e falta de previsibilidade, projetar um possível “eu futuro” deixa de ser apenas uma performance e passa a funcionar como uma forma de direção. não se trata apenas de parecer. se trata de construir uma referência em meio a um ambiente onde poucos caminhos são claros.


uma geração que precisa criar seus próprios caminhos


a geração z cresce em um contexto onde não existe mais um roteiro único de futuro. múltiplas possibilidades coexistem ao mesmo tempo, mas nenhuma oferece garantia. isso gera uma necessidade constante de escolha, adaptação e reinvenção.

é nesse cenário que surgem comportamentos como cartas para o universo, visualização, moodboards no pinterest, listas de metas e até mudanças na forma de se vestir. esses movimentos não aparecem de forma isolada. eles funcionam como tentativas de organizar um futuro que não está dado.

mais do que tendências, são ferramentas simbólicas de construção de sentido.


entre estética, rotina e posicionamento


esse comportamento atravessa diferentes camadas da vida. a estética deixa de ser apenas visual e passa a ser também projeção. a rotina deixa de ser apenas hábito e passa a ser construção de narrativa. a forma de se posicionar no mundo passa a refletir não apenas quem se é, mas quem se deseja ser.

isso explica por que pequenas escolhas ganham tanto peso. o que se consome, o que se veste, o que se compartilha. tudo passa a compor uma ideia de identidade em construção.

não se trata de coerência perfeita, mas de tentativa constante de alinhamento.


o papel da neuroplasticidade nesse processo


existe uma camada mais profunda que ajuda a entender esse comportamento. a neuroplasticidade. a capacidade do cérebro de se reorganizar a partir dos estímulos que recebe, fortalecendo conexões ao longo do tempo.

quando uma ideia é constantemente visualizada, repetida ou encenada no cotidiano, ela começa a influenciar a forma como o indivíduo percebe o mundo, toma decisões e age. isso não significa que tudo pode ser manifestado apenas pela intenção, mas indica que a repetição de determinados padrões pode direcionar comportamento.

nesse sentido, “fake it till you make it” deixa de ser apenas fingimento e se aproxima de um processo de treinamento cognitivo e comportamental.


sustentar uma narrativa como forma de direção


o ponto central deixa de ser fingir e passa a ser sustentar uma narrativa. se vestir como alguém que já ocupa determinado lugar, consumir conteúdos alinhados com esse “eu futuro” ou se posicionar de forma coerente com essa construção não garante resultado, mas cria direção.

em um cenário onde quase nada é previsível, direção se torna um ativo importante. não porque define exatamente onde se vai chegar, mas porque organiza escolhas ao longo do caminho.


entre controle simbólico e tentativa de estabilidade


no fundo, esse comportamento revela algo maior. uma tentativa de gerar controle em um ambiente que oferece pouca estabilidade. projetar um futuro possível, mesmo que simbólico, ajuda a reduzir a sensação de desorientação.

isso não significa que a geração z acredita que tudo está sob controle. significa que, diante do caos, ela constrói ferramentas para navegar melhor por ele.


de fingimento a construção


a leitura final muda. não se trata mais de fingir até acontecer. se trata de construir até fazer sentido.

ao repetir comportamentos, reforçar referências e sustentar uma narrativa, aquilo que antes era apenas intenção começa a se traduzir em prática. o processo não é linear, nem garantido, mas é ativo.

no fim, a pergunta deixa de ser sobre parecer e passa a ser sobre tornar se.

na hapu, analisamos como comportamento, cultura digital e construção de identidade impactam a forma como marcas se posicionam. se a sua marca quer se conectar com a geração z a partir dessas dinâmicas, entre em contato com a gente.

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