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Geração Z e comportamento performático: quando viver offline também parece conteúdo

por Rafaela Varella, Diretora criativa da HAPU

19 de out. de 2026

Com 15 horas de tempo de tela, por que a Geração Z passou a enxergar até hobbies, experiências e escolhas offline como formas de performance?

quando tudo parece performático


Existe uma tendência de chamar qualquer comportamento minimamente intencional de performático. Ler em um café, correr, usar câmera analógica, fazer cerâmica, ouvir vinil ou frequentar determinados lugares pode rapidamente ser interpretado como uma tentativa de comunicar alguma coisa sobre quem você é. Se uma escolha possui um código visual reconhecível, surge a suspeita de que ela existe para ser vista.

Para a Geração Z, essa percepção ganha uma camada particular porque grande parte do repertório cultural é construída dentro das plataformas. Antes de experimentar um comportamento, muitas vezes já encontramos sua representação online. O hobby chega acompanhado de uma estética, a corrida aparece como conteúdo de run club, a leitura ganha seu próprio universo visual e até atividades analógicas passam a circular como tendências. A internet não necessariamente criou esses comportamentos, mas passou a mediar a forma como aprendemos a reconhecê-los.


quando a vida offline é interpretada pela internet


Isso cria uma situação curiosa. Quanto mais tempo passamos expostos à representação da vida, mais difícil pode ser olhar para uma escolha sem imediatamente transformá-la em estética, posicionamento ou identidade.

Uma pessoa pode realmente gostar de ler em um parque, mas já conhece o imaginário do reading aesthetic. Pode começar a correr porque gosta da atividade, mas sabe como um run club é representado nas redes. Pode fazer cerâmica simplesmente porque achou divertido, mas também reconhece os códigos visuais associados ao hobby.

A escolha continua sendo real. O que mudou é o repertório através do qual ela é interpretada.


o paradoxo da vida performática


Existe uma ironia importante nessa discussão. Ao mesmo tempo em que existe uma preocupação crescente com excesso de tela, isolamento e falta de experiências presenciais, também existe uma tendência de desconfiar dos comportamentos que parecem levar as pessoas para fora dela.

Queremos que a Geração Z leia, corra, tenha hobbies, faça coisas com as próprias mãos e desenvolva repertório longe do celular. Mas, quando essas atividades aparecem acompanhadas de uma estética reconhecível, rapidamente podem ser classificadas como performance.

É como se a cultura digital tivesse criado uma situação em que até escapar da internet pode parecer conteúdo de internet.


talvez o problema não seja performar


A questão, então, talvez não seja descobrir se determinado comportamento é genuíno ou performático. Essas duas coisas podem coexistir.

Uma pessoa pode começar a correr porque viu um vídeo sobre corrida e, depois, realmente gostar de correr. Pode descobrir um hobby através de uma tendência e desenvolver uma relação própria com ele. Pode gostar da estética de uma atividade e também gostar da atividade em si.

A Geração Z cresceu em um ambiente em que identidade e expressão estão constantemente conectadas. É natural que suas escolhas carreguem algum nível de comunicação. Ter gosto também é uma forma de dizer quem somos.

O problema começa quando a suspeita de performance se torna tão grande que passamos a deslegitimar qualquer comportamento que tenha algum código cultural reconhecível.


se tudo virou performance, talvez a performance também possa ser real


Existe uma diferença entre fazer alguma coisa apenas para produzir uma imagem e descobrir uma atividade através da imagem que ela produz. Nem todo comportamento visível é falso, assim como nem todo comportamento privado é necessariamente autêntico.

Para uma geração que passa tantas horas diante de telas, talvez seja inevitável que a linguagem da internet atravesse também aquilo que acontece fora dela. O objetivo não precisa ser eliminar essa influência, mas entender que uma vida pode ser simultaneamente vivida e interpretada.

Se ler, correr, criar alguma coisa, ouvir música ou ter um hobby também comunica quem somos, isso não necessariamente diminui o valor dessas experiências.

Talvez a provocação seja justamente outra:

se tudo que escapa do scroll virou performático, talvez seja uma ótima hora para performar.


cultura como ponto de partida para estratégia


Aqui na HAPU, somos uma agência de curadores culturais e acompanhamos de perto as mudanças que estão transformando a relação da Geração Z com cultura digital, identidade, comportamento e consumo. Entender como a internet está mudando não apenas o que essa geração faz, mas também a forma como ela interpreta o próprio comportamento, é parte do nosso trabalho de inteligência cultural e marketing geracional. Se a sua marca quer entender os códigos que estão moldando a maneira como a Geração Z vive, consome e se expressa, entre em contato com a HAPU.


sobre a HAPU

a HAPU é uma agência de comunicação full-service especializada em geração z, público jovem e novas gerações. através da nossa metodologia Z2Z, transformamos comportamento, cultura e inteligência geracional em estratégia para marcas que querem construir relevância com os novos consumidores.

atuamos com branding, conteúdo e social media, marketing de influência, relações públicas, live marketing e brand experience, além de consultoria e inteligência cultural.

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