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Geração Z e música: quando marcas deixam de usar cultura e começam a produzi-la

por Rafaela Varella, Diretora criativa da HAPU

25 de set. de 2026

Como a música está transformando o branded entertainment e criando novas formas de conexão entre marcas, fandoms e cultura jovem

Quando a marca deixa de apenas acompanhar a música

Durante muito tempo, a relação entre marcas e música seguiu uma lógica relativamente previsível. Uma música conhecida virava trilha de campanha, um artista emprestava sua imagem para um produto, uma empresa patrocinava uma turnê ou ocupava um espaço dentro de um festival. A cultura já existia e a marca buscava proximidade com ela. Agora, algumas estratégias começam a inverter essa relação. Em vez de simplesmente aparecer ao lado da música, marcas estão criando faixas, projetos editoriais, experiências e formatos capazes de existir dentro desse universo cultural por conta própria. O movimento acompanha uma transformação maior do branded entertainment, em que marcas passam a produzir entretenimento que as pessoas escolhem consumir, em vez de apenas interromper aquilo que já estavam assistindo.  

Para a Geração Z, música também é identidade

A mudança encontra uma geração para quem música raramente existe como um produto cultural isolado. Um artista também pode representar estética, moda, memes, coreografias, narrativas, comunidades e experiências presenciais. A descoberta acontece entre streaming, redes sociais, creators, playlists, fandoms e shows, criando uma relação contínua que ultrapassa o momento de lançamento de uma música ou álbum. Nesse contexto, entrar na música significa muito mais do que escolher um artista para uma campanha. Para uma marca, significa entender quais códigos, comunidades e comportamentos já existem naquele universo e qual papel ela poderia ocupar dentro dele.  

De usar cultura a contribuir para cultura

Essa mudança fica mais clara quando uma marca transforma um insight cultural em um projeto que poderia existir mesmo sem a publicidade tradicional. Em vez de simplesmente utilizar a estética de determinado gênero musical, por exemplo, a marca pode produzir uma faixa, envolver artistas ligados àquela cena e distribuir o resultado como uma experiência cultural real. A diferença está no nível de contribuição. Quando uma marca utiliza cultura, ela aproveita códigos que já existem para fortalecer sua comunicação. Quando contribui para cultura, ela cria algo que pode circular, ser descoberto, compartilhado e reinterpretado pelo público. A exigência também aumenta: se uma marca produz uma música, ela precisa fazer sentido como música; se entra em uma comunidade, precisa entender sua linguagem, memória e referências.  

O arquivo cultural também pode virar estratégia

Para a Geração Z, que cresceu navegando por arquivos digitais, referências do passado continuam disponíveis para serem descobertas e reinterpretadas. Uma música antiga pode voltar através do TikTok, uma estética de outra década pode ganhar novos significados e um repertório que parecia encerrado pode encontrar uma nova comunidade. Isso cria uma oportunidade interessante para marcas: em vez de correr constantemente atrás da próxima tendência, também é possível olhar para aquilo que a cultura já produziu espontaneamente sobre a própria marca e transformar esse histórico em algo relevante para o presente. O passado deixa de ser apenas legado e passa a funcionar como matéria-prima para novas experiências culturais.  

A marca como plataforma cultural

Essa lógica também muda a função da marca dentro do entretenimento. Em vez de simplesmente comprar acesso a uma audiência que já pertence à indústria cultural, algumas empresas começam a construir suas próprias plataformas, propriedades e universos de conteúdo. Não significa necessariamente criar uma gravadora, mas desenvolver projetos que possam gerar descoberta, criação, distribuição e experiências ao longo do tempo. Isso se conecta diretamente à lógica dos fandoms, que dependem de continuidade para permanecerem ativos. Uma música pode levar a um conteúdo, que leva a uma performance, que leva a uma experiência e volta a gerar novas conversas. A relação deixa de acontecer apenas dentro de uma campanha e começa a funcionar como ecossistema.


A Geração Z percebe quando a cultura vira cenário

Existe, porém, um limite importante. A Geração Z não necessariamente rejeita marcas dentro da música, mas reconhece quando uma empresa está apenas utilizando uma estética para parecer culturalmente atualizada. Fandoms já possuem memória, linguagem, humor e comunidades próprias, e seus participantes também produzem conteúdo, organizam encontros e reinterpretam referências. Para entrar nesse ambiente de forma relevante, a marca precisa adicionar alguma coisa à experiência, em vez de simplesmente colocar sua identidade visual sobre uma cultura que já existia. O artista, a cena ou a ideia precisam continuar tendo valor mesmo quando o logo deixa de ser protagonista.   


De culture sponsor para culture producer


A transformação mais interessante está justamente no tipo de participação que as marcas estão buscando. Patrocinar significa apoiar algo que já existe. Produzir cultura significa assumir responsabilidade pelo que está sendo colocado dentro dela. A segunda opção exige mais repertório, consistência e disposição para criar projetos cujo valor não seja medido apenas pela exposição imediata do produto. Mas também abre uma possibilidade maior de conexão. Em uma cultura digital na qual a Geração Z consegue ignorar anúncios, pular vídeos e reconhecer publicidade rapidamente, uma marca pode ganhar atenção ao oferecer algo que as pessoas realmente queiram ouvir, descobrir, compartilhar ou incorporar ao próprio repertório.   


Cultura como ponto de partida para estratégia


Aqui na HAPU, somos uma agência de curadores culturais e acompanhamos de perto as transformações que estão redefinindo a relação entre Geração Z, entretenimento, fandoms e comunicação de marcas. Usamos inteligência cultural e marketing geracional para entender onde marcas podem encontrar relevância cultural de forma legítima, criando estratégias, conteúdos, experiências e projetos de influência que participem da cultura em vez de apenas acompanhá-la. Se a sua marca quer entender como transformar repertório cultural em estratégia, entre em contato com a HAPU.

sobre a HAPU

a HAPU é uma agência de comunicação full-service especializada em geração z, público jovem e novas gerações. através da nossa metodologia Z2Z, transformamos comportamento, cultura e inteligência geracional em estratégia para marcas que querem construir relevância com os novos consumidores.

atuamos com branding, conteúdo e social media, marketing de influência, relações públicas, live marketing e brand experience, além de consultoria e inteligência cultural.

quer entender como a sua marca pode se conectar com a geração z e o público jovem? conheça nossos serviços, veja nossos cases ou fale com a HAPU.

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